A conferência IAPP AI Governance Global Europe 2026 reuniu especialistas para discutir os desafios práticos de governança de IA em um momento em que marcos regulatórios já existem, mas sua implementação ainda está sendo construída.
O evento evidenciou uma virada no debate global sobre IA. Após anos de discussão legislativa, o foco se deslocou para a implementação concreta da governança. Com o AI Act Omnibus, revisão do regulamento europeu de inteligência artificial, adiando alguns prazos para dezembro de 2027, há uma percepção equivocada de que as organizações têm tempo. Os especialistas presentes, contudo, se posicionaram no sentido contrário.
Um dos temas centrais foi o fenômeno do “shadow AI”: unidades de negócio estão adotando ferramentas de IA de forma independente e descentralizada, muitas vezes por meio de assinaturas de baixo valor contratadas fora dos processos formais de governança. Onde a burocracia interna trava a adoção da IA, os colaboradores trazem suas próprias ferramentas e criam o que os especialistas chamam de “IA paralela”. O resultado são sistemas em operação sem documentação adequada, com padrões inconsistentes, lacunas de responsabilidade e de conformidade.
O painel dedicado ao tema, conduzido por representantes da Randstad, BCG, Coinbase e Bird & Bird, argumentou que a resposta não é desacelerar a inovação, mas distribuir a governança com a mesma fluidez. Isso exige alfabetização em IA em todas as funções que desenvolvem, contratam ou operam sistemas.
Barry Scanell, parceiro do escritório William Fry e membro do Irish AI Advisory Council, foi direto: “Se os padrões harmonizados definirão o que significa conformidade técnica, os profissionais jurídicos precisam se sentir confortáveis operando em território profundamente técnico, e vice-versa.” A mensagem reforça que governança de IA não é uma função que pode ser isolada no jurídico ou no time de compliance.
A conferência também abordou os próximos passos da Lei de IA da União Europeia, com foco nos prazos de conformidade para sistemas de alto risco, agora fixados para dezembro de 2027, e na necessidade urgente de especialistas técnicos para contribuir com o desenvolvimento dos padrões harmonizados que definirão o que significa conformidade na prática.